Timão vence Botafogo e dispara de vez na liderança
No castigado gramado de São Januário, que foi camuflado com uma mistura de areia e tinta verde, o Botafogo demonstrou fibra e mais volume de jogo, mas se deixou envolver pela frieza do rival, que apostou na marcação forte e nos contra-ataques. A torcida chiou com alguns jogadores. O meia Maicosuel, por exemplo, foi substituído na etapa final e saiu vaiado. Já o técnico Caio Júnior ouviu pedidos por Cuca, que já trabalhou no clube e está desempregado desde a saída do Cruzeiro. O time continua fora do G-4: é o sexto, com 16 pontos. Foi apenas a segunda derrota da equipe na competição, a primeira em casa, mas o Alvinegro não vence há três jogos.
O Timão iguala um recorde que pertencia justamente ao Botafogo. Em 2007, o Glorioso ficou dez jogos sem perder, melhor início de campeonato desde que o torneio passou a ser disputado por pontos corridos. O Bota volta a jogar no próximo sábado, contra o Atlético-PR, em Curitiba, às 18h30m. No dia seguinte, o Corinthians recebe o Cruzeiro, às 16h, no Pacaembu.
Caio pisou no gramado de São Januário, tomou o lado direito do ataque do Botafogo para si e por lá ficou. Contra um, dois e até três marcadores, ele não se intimidou. Sempre que recebia a bola, partia em velocidade até a linha de fundo para tentar descolar um cruzamento. Fez isso por mais de uma vez, levou perigo, mas no fim trombava em Leandro Castán ou Fábio Santos.Weldinho fez o mesmo pela lateral direita do Corinthians. Ele soube tirar proveito dos espaços deixados por Lucas Zen, volante improvisado na lateral, e foi figura constante nos avanços do Timão. Apesar de ter menos posse de bola, a equipe de Tite soube controlar a partida. Marcação firme e contra-ataque perigoso. Assim os corintianos assustaram. Os volantes Ralf e Paulinho se aproximavam de Danilo, William, Jorge Henrique e Liedson na frente. Os três últimos, aliás, investiram na movimentação para fugir dos marcadores. Além de lançar Caio bem aberto pela direita, o técnico Caio Júnior apostou em Elkeson e Maicosuel pela esquerda, e Herrera mais adiantado. Mas foi com o moicano-rastafari Fábio Ferreira que o time conseguiu chegar pela primeira vez, só aos 20 minutos. Após cobrança de escanteio pela direita, a bola sobrou para o zagueiro na área, e o chute forte passou perto do travessão. Estreante da noite, o volante Renato correu, se esforçou, mas não foi além de uma boa inversão de jogo e uma cobrança de falta muito ruim.
Na base do estilo brigador, Herrera criou a melhor chance do Botafogo, aos 40. O argentino disparou até a entrada da área e bateu firme de pé esquerdo. A bola acertou a trave do goleiro Julio César, que chegara atrasado no lance. No minuto seguinte, o Bota reclamou de um pênalti. Caio acreditou na disputa de bola com Fábio Santos na linha de fundo e ganhou. Caído no gramado, o lateral esticou o braço e derrubou o atacante no limite da área. O árbitro André Luiz de Freitas Castro nada marcou.
O mesmo Fábio Santos deu o passe para o gol de Liedson, aos 43. Jorge Henrique abriu na esquerda para o lateral, ele disparou pela avenida deixada por Alessandro e cruzou no pé do camisa 9: quinto gol dele no Brasileirão.
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| Liédson, atacante do Corinthians. |
Com a frieza que tem marcado a campanha quase perfeita, o líder do Brasileirão foi sempre mais perigoso. William e Weldinho tiveram boas chances de ampliar. Na melhor delas, aos 26, o atacante buscou o ângulo de Jefferson. De volta depois de servir a Seleção Brasileira na Copa América, o camisa 1 saltou bonito para espalmar.
Caio Júnior fez as três alterações do Botafogo num curto espaço de tempo. Ele lançou o estrante Alexandre Oliveira no lugar de Caio, tirou Lucas Zen da lateral esquerda e colocou Márcio Azevedo e trocou Maicosuel por Thiago Galhardo. Ao deixar o campo, o camisa 7 ouviu mais vaias. O Alvinegro melhorou e criou algumas boas chances, inclusive na bola parada. Aos 33, Alexandre Oliveira recebeu cruzamento na área e, sozinho, mergulhou para cabecear na trave. No rebote, Fábio Ferreira isolou.
Tite também mudou. O técnico colocou Emerson no lugar de Jorge Henrique, Alex no de William e Edenilson na vaga de Liedson. A equipe, que havia perdido a força no contra-ataque, só voltou a assustar aos 38. Alex deixou Emerson na cara do gol, ele encobriu Jefferson, mas a bola tocou no travessão. Quase um golaço do Sheik.
Ainda havia tempo para um susto e mais um gol. Aos 41, o goleiro Julio César machucou o dedo mínimo da mão esquerda em uma defesa simples. Ao se levantar para a reposição de bola, pediu atendimento médico. Quando tirou a luva, se desesperou com o dedo mínimo da mão esquerda torto. Naquele momento, Tite não poderia mais fazer mudanças, e o camisa 1 continuou em campo. Aos 48, o golpe de misericórdia. Edenilson chutou forte, e Paulinho aproveitou o rebote de Jefferson para fazer o segundo. Quem segura o Corinthians?
Palmeiras e Fla empatam em jogo nada convincente
Era natural que o duelo entre Palmeiras e Flamengo fosse cercado de expectativas, até pela recente polêmica envolvendo o atacante Kleber. Mas, na volta do Gladiador ao time de Luiz Felipe Scolari, ninguém brilhou. Em um jogo muito brigado taticamente, mas de poucas chances reais, Verdão e Fla ficaram no 0 a 0 nesta quarta-feira, no Pacaembu, e mantiveram suas posições na tabela do Campeonato Brasileiro. A equipe da casa até buscou mais o gol, mas não conseguiu traduzir essa superioridade no resultado final. O atacante do Palmeiras fez seu sétimo jogo na competição e não pode mais jogar por outro clube da Série A, dando fim ao polêmico interesse do próprio Fla em seu futebol.
Quente, mesmo, só o fim da partida. Revoltado com a atitude de Kleber, que não devolveu a bola após um lance de bola ao chão, o goleiro Felipe esbravejou em direção ao adversário e gerou um princípio de confusão generalizada. Leandro Vuaden, árbitro da partida, nada fez.
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| Desentendimento entre jogadores. |
Na próxima rodada, o Palmeiras vai até Volta Redonda enfrentar o Fluminense, às 16h. Já o Flamengo, sem os suspensos Ronaldinho e Thiago Neves, pegará o Ceará no sábado, às 21h, em Macaé.
O clima amistoso fora das quatro linhas não se manteve em campo. Antes do apito inicial, Felipão e Luxemburgo se cumprimentaram e ainda abraçaram a maioria dos jogadores adversários. Mas, nos primeiros três minutos, uma entrada de Marcos Assunção em Willians e outra de Renato em Cicinho mostraram que a temperatura seria alta – com a conivência do árbitro Leandro Vuaden, habituado a marcar poucas faltas.
Taticamente, o Fla conseguiu dominar o meio-campo pelos primeiros 20, 25 minutos. Isso porque a mobilidade de Airton, Renato e Willians confundia a marcação palmeirense. Pelo lado direito do ataque, Thiago Neves levou vantagem sobre Gabriel Silva e criou as duas melhores chances rubro-negras – uma delas exigiu grande defesa de Marcos.
O ataque palmeirense era tímido, já que Cicinho se preocupava com a marcação em Ronaldinho Gaúcho. Quando resolveu deixar o camisa 10 do Fla um pouco de lado, o Verdão cresceu demais no setor ofensivo. Como Ronaldinho não costuma voltar para acompanhar o lateral, Cicinho avançou livre por várias vezes para tabelar com Maikon Leite. A partir daí, o Fla se resguardou na defesa, o Palmeiras começou a criar oportunidades, e a torcida inflamou.
Mesmo apagado, Kleber mostrou a habitual garra, deu carrinho e reclamou de um pênalti não marcado por Leandro Vuaden, após disputa com Welinton. Em tabela com o Gladiador, Maikon Leite quase abriu o placar. Depois, o próprio Maikon perdeu chance clara dentro da área. Sem guardar posição, o atacante se movimentou pela esquerda e também pela direita. O gol não saiu, mas o Verdão já havia achado o caminho para levar perigo ao rival.
O palmeirense Valdivia e o agora aposentado Petkovic assistiram de camarote ao duelo no Pacaembu. Se estivessem em campo, certamente resolveriam a falta de criação que assolou as duas equipes. Na segunda etapa, o Palmeiras foi mais perigoso graças à intensa movimentação de Maikon Leite, que se fixou mais pela esquerda, próximo a Luan e Kleber – Patrik passou a cair pela direita, sem sucesso.
Do outro lado, Vanderlei Luxemburgo manteve Ronaldinho na dele, pela esquerda, recebendo passes e devolvendo com açúcar. Até gol por cobertura ele tentou, fazendo Marcos se esticar todo para espalmar (o lance já não estava valendo, é verdade). Também cobrou falta quase perfeita, exigindo outra intervenção do "Santo". A inoperância de Deivid no comando do ataque impediu que a habilidade do camisa 10 fosse mais útil – irritado, Luxa substituiu o centroavante por Diego Maurício.
Cada um a seu modo, Palmeiras e Flamengo tentaram desatar o nó provocado pelos setores de meio-campo. Kleber, Luan e Maikon receberam marcação forte. Assim, a bola parada de Marcos Assunção passou a ser o principal perigo. Sem domínio da posse de bola, o Fla ficou na dele, se defendendo e esperando um só contra-ataque para matar o jogo – que não veio.
Aos poucos, a torcida diminuiu o ritmo, contaminada pela partida sonolenta que se desenhava. Verdão e Fla também passaram a se conformar com a igualdade sem gols – ganhar um ponto ainda é melhor do que ficar sem nenhum. Faltou aquele “algo mais”, essencial para quem está na caça ao líder Corinthians.
Fonte: globoesporte.com


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